Ednajar pergunta: Qual sua estratégia para gerenciamento de risco?
Na parte do portfólio relacionada às ações, procuro ações com boa estabilidade de lucros e receitas, bom ROIC e ROE, baixo endividamento e boa liquidez corrente. Passando nesses filtros eu utilizo valuation (fluxo de dividendos descontados, análise de múltiplos e PSBe). Sobre o valor encontrado eu aplico uma margem de segurança entre 40% e 50% com base nas perspectivas do setor e da empresa.
Para o portfólio como um todo utilizo asset allocation entre RF, ações e câmbio realocando sempre que os % superem 10% (desde que os custos de transação assim o permitam)
Ednajar pergunta: Fez atualmente alguma mudança em sua estratégia de mitigação de riscos, devido à percepção que alguns investidores tem sobre a possibilidade de estarmos vivenciando um possível topo no IBOV?
A única mudança que eu apliquei foi trocar algumas empresas do portfólio quando os primeiros sinais de topo começaram a surgir lá pelos 56.000 do Ibovespa. Fui aos poucos trocando empresas que estavam com P/Ls altos (talvez na esperança de uma recuperação econômica mais robusta) como Gerdau, Usiminas e Itaú por Confab, Light e Drogasil. Confab pelos baixos múltiplos, boa estabilidade operacional e bom potencial em relação ao pré-sal. Light por ser uma boa pagadora de dividendos e fornecedora de uma utilidade de primeira necessidade. E, Drogasil pois mesmo durante a crise manteve o ritmo forte de crescimento, aumentando margens ao mesmo tempo em que vem aumentando market share. Além disso, tem drivers interessantes como a tendência de envelhecimento da população e o aumento da regulação no setor que deve reduzir a concorrência informal.
No mais, tenho utilizado margens de segurança maiores (50%), mas não mexi nos percentuais de alocação mantendo uma alocação neutra.
Ednajar pergunta: Vc pensa ainda em uma correção no IBOV este ano, ou até mesmo uma nova rodada de liquidações, com queda brusca, devido a desdobramentos da crise na Europa?
Eu diria que a minha bola de cristal não é o meu bem mais valioso... rs
Na minha avaliação, não tínhamos motivos para uma recuperação tão forte como a que vimos em 2009. E mesmo com ela acontecendo, me parece que foi mais pelos estímulos e pelo excesso de liquidez do que por uma recuperação econômica robusta.
As perguntas que ficam são: O que pode acontecer quando esses estímulos forem retirados? Em que momento o mercado vai começar a exigir juros mais altos por conta do risco de crédito?
Recentemente li um artigo que diz que em 2010 EUA, Europa, Japão e Reino Unido terão que emitir US$5 trilhões para cobrir seus déficits. Estamos falando de US$5 trilhões!!!

Se esses países que respondem por quase 50% do PIB mundial vão tomar tanta dívida assim, quem é que vai estar na ponta compradora?
Então, acho sim que surpresas desagradáveis podem estar a nossa espera. Se elas vão se concretizar? Só Deus sabe.